Raízen reestrutura dívida de R$ 64,7 bilhões
Raízen reestrutura dívida de R$ 64,7 bilhões

A Raízen protocolou um plano de recuperação extrajudicial para reestruturar uma dívida de R$ 64,7 bilhões. A companhia, uma das maiores do setor sucroenergético do Brasil, informou adesão de 75,45% dos credores ao acordo, abrindo caminho para uma reorganização financeira de grande escala no agronegócio nacional.

Estrutura do plano de reestruturação

O plano prevê três eixos principais de ação. O primeiro é um aporte de capital novo na companhia. O segundo é a conversão parcial da dívida existente em participação acionária. O terceiro é a emissão de novos títulos de dívida para alongar o perfil dos passivos.

A combinação dessas medidas busca reduzir o endividamento líquido imediato e melhorar os índices de cobertura da dívida, aliviando a pressão sobre o fluxo de caixa operacional da empresa.

Contexto do setor sucroenergético

A Raízen opera na produção de açúcar, etanol e bioenergia, sendo uma joint venture entre Shell e Cosan. A empresa é uma das maiores produtoras de etanol de cana-de-açúcar do mundo e atua em toda a cadeia, do campo à distribuição de combustíveis.

O endividamento elevado reflete, em parte, o ciclo de expansão agressiva da companhia nos últimos anos, especialmente em logística e capacidade de moagem. A volatilidade nos preços do etanol e do açúcar no mercado internacional também pressionou margens ao longo de safras recentes.

Impacto nos preços do etanol

Dados recentes do Cepea indicam recuo nos preços do etanol hidratado e anidro nas usinas paulistas. Esse cenário de queda nas cotações aumenta a pressão sobre o caixa de produtoras, tornando a reestruturação financeira da Raízen ainda mais urgente dentro do calendário da safra 2025/26.

Adesão dos credores e próximos passos

A adesão de 75,45% dos credores ao plano extrajudicial é considerada expressiva. Para que o processo tenha validade legal plena, é necessário que o acordo seja homologado judicialmente, mesmo sendo de natureza extrajudicial.

A aprovação do plano depende agora do andamento judicial e de eventuais negociações com credores que ainda não aderiram. A Raízen não divulgou o prazo estimado para a conclusão do processo.

Conversão de dívida em ações

A conversão parcial da dívida em capital representa uma mudança relevante na estrutura societária da companhia. Credores que aceitarem essa conversão passarão a ter participação direta nos resultados futuros da Raízen, assumindo exposição ao desempenho operacional da empresa.

Esse mecanismo é comum em reestruturações de grande porte e reduz o volume de obrigações financeiras de curto e médio prazo sem demandar desembolso imediato de caixa pela companhia.