A semana se encerrou com a arroba do boi gordo mantendo a trajetória de desvalorização observada nos últimos dias, refletindo um mercado pecuário sob pressão combinada de fatores sazonais e estruturais. Enquanto os pecuaristas resistem em negociar os animais nos patamares atuais, os frigoríficos intensificam a estratégia de pressionar as cotações, mesmo diante de escalas de abate encurtadas. O cenário, no entanto, não favorece uma retenção prolongada dos bovinos, dado o estágio avançado das pastagens e a necessidade de rotação nos confinamentos, que impõe um fluxo constante de oferta.
Você pode acompanhar as cotações e os principais destaques do agronegócio em tempo real aqui na SpaceMoney.
Pressão adicional vinda da China
Um elemento que agrava o viés baixista é o virtual esgotamento da cota de importação de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina estabelecida pela China ao Brasil. Com o principal mercado comprador reduzindo o ritmo de aquisições, as indústrias frigoríficas operam com maior ociosidade, ajustando a produção a uma realidade de demanda externa mais contida. Esse movimento tende a limitar a capacidade de absorção da oferta interna, reforçando a pressão sobre os preços da arroba.
Indicador Datagro mostra recuo generalizado
O Indicador do Boi Gordo Datagro, referência para o mercado, registrou quedas na maioria das praças acompanhadas nesta sexta-feira (10). Em São Paulo, a arroba foi negociada a R$ 326,30, contra R$ 327,06 do dia anterior. Na Bahia, o valor subiu ligeiramente para R$ 308,92, ante R$ 308,48. Goiás apresentou leve recuo, de R$ 313,80 para R$ 313,71. Minas Gerais caiu de R$ 313,99 para R$ 312,28. Mato Grosso do Sul foi exceção, com alta de R$ 330,78 para R$ 332,42. Mato Grosso recuou de R$ 316,90 para R$ 316,67. Pará subiu de R$ 318,79 para R$ 319,10. Rondônia passou de R$ 312,24 para R$ 312,36. Tocantins caiu de R$ 313,77 para R$ 313,63.
Perspectivas para as próximas semanas
O mercado deve continuar monitorando de perto o comportamento das escalas de abate e a evolução das exportações para a China. A tendência de curto prazo aponta para manutenção da pressão baixista, a menos que haja uma retomada mais consistente da demanda externa ou uma redução mais acentuada da oferta de animais terminados. A relação entre oferta e demanda, combinada com o cenário macroeconômico e cambial, seguirá ditando o rumo das cotações.





