Preço da arroba do boi gordo no mercado pecuário brasileiro com influência chinesa
Médias da arroba do boi gordo recuam em SP, GO, MG, MS e MT com ociosidade nas indústrias

O mercado físico do boi gordo registrou nova rodada de queda nos preços, reflexo direto do avanço das cotas de importação da China e do aumento da ociosidade nas plantas frigoríficas. A pressão sobre as cotações se intensifica à medida que a indústria reduz a demanda por gado para abate, especialmente com a sinalização de que a capacidade ociosa deve crescer nas próximas semanas. De acordo com a consultoria Safras & Mercado, o alerta de que 100% da cota australiana foi atingida já foi divulgado pelas autoridades chinesas, enquanto o Brasil se prepara para receber o segundo alerta, indicando o preenchimento de 80% dos 1,1 milhão de toneladas destinados ao país asiático. Esse cenário reforça a posição dos frigoríficos de aumentar a ociosidade, limitando ainda mais as compras de gado.

Impacto das cotas chinesas na demanda industrial

Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, destacou que as indústrias operam com maior ociosidade neste momento, o que reduz a necessidade por animais para abate. A interrupção da produção voltada ao mercado chinês foi sinalizada por grande parte dos frigoríficos, alinhada ao preenchimento das cotas. O segundo alerta, que deve chegar nos próximos dias, aponta para 80% de ocupação da cota brasileira, fator que deve consolidar a tendência de ociosidade. Esse movimento já se reflete nas médias estaduais, com recuos generalizados nos preços da arroba.

Médias regionais: recuo generalizado

Os preços médios da arroba do boi gordo caíram em todas as principais praças pecuárias. Em São Paulo, a média passou de R$ 348,67 para R$ 346,75. Em Goiás, recuou de R$ 326,25 para R$ 325,36. Minas Gerais viu a média cair de R$ 326,18 para R$ 325,59. No Mato Grosso do Sul, a arroba foi de R$ 342,27 para R$ 341,82, enquanto no Mato Grosso o valor passou de R$ 346,69 para R$ 345,47. As quedas, embora modestas em termos absolutos, sinalizam a tendência de baixa pressionada pela demanda industrial enfraquecida.

Mercado atacadista e expectativa de consumo

No mercado atacadista, os preços da carne bovina seguem acomodados, com expectativa de recuperação nos próximos dias, impulsionada pelo consumo sazonal em junho, especialmente às vésperas dos jogos da seleção brasileira. No entanto, a carne bovina perde competitividade frente às proteínas concorrentes, sobretudo a carne de frango. Os preços atuais do quarto traseiro giram em torno de R$ 27,00 por quilo, o quarto dianteiro a R$ 21,50 e a ponta de agulha a R$ 20,00. O mercado aguarda sinais mais claros de estímulo ao consumo interno para reverter o cenário de acomodação. Para quem acompanha o setor, você pode acompanhar as cotações e os principais destaques do agronegócio em tempo real aqui na SpaceMoney.

Câmbio e impacto no mercado

O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 1,26%, cotado a R$ 5,1740 para venda e R$ 5,1720 para compra, oscilando entre a mínima de R$ 5,1281 e a máxima de R$ 5,1901. A valorização da moeda americana adiciona pressão ao mercado de commodities, embora no curto prazo o foco permaneça nas restrições impostas pela China. A combinação de cota chinesa limitada, ociosidade industrial e câmbio desfavorável deve manter as cotações da arroba sob pressão nas próximas semanas.