O ritmo das vendas externas de soja em grão do Brasil segue firme, com o volume embarcado em julho alcançando 13,401 milhões de toneladas, um incremento de 9,3% frente ao mesmo mês de 2025. A receita gerada pelos embarques totalizou US$ 5,874 bilhões, representando uma alta de 17,4% na comparação anual, conforme dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O desempenho reflete não apenas o aumento do volume, mas também a valorização do preço médio da tonelada, que subiu 7,4% no período, passando de US$ 408,10 para US$ 438,30.
Na média diária, os embarques atingiram 582.649 toneladas em julho, superando as 532.927 toneladas por dia útil registradas no mesmo mês do ano anterior. Em termos de faturamento diário, a média foi de US$ 255,389 milhões, também 17,4% acima dos US$ 217,474 milhões de julho de 2025. Esse avanço simultâneo de volume e valor reforça a solidez da demanda internacional pela oleaginosa brasileira, mesmo diante de um cenário de preços globais ainda voláteis.
Comparativo mensal e acumulado do ano
Na passagem de junho para julho deste ano, contudo, o ritmo de embarques apresentou desaceleração. O volume caiu 7,6%, passando de 14,499 milhões para 13,401 milhões de toneladas, enquanto a receita recuou 6,1%, de US$ 6,258 bilhões para US$ 5,874 bilhões. Apesar da queda no volume e no faturamento mensal, o preço médio registrou alta de 1,6%, subindo de US$ 431,60 para US$ 438,30 por tonelada, o que indica uma leve melhora nas condições de negociação no mercado internacional.
No acumulado de janeiro a julho de 2026, as exportações brasileiras de soja somam 82,980 milhões de toneladas, volume 7,5% superior às 77,210 milhões de toneladas embarcadas no mesmo intervalo de 2025. A receita acumulada no período alcançou US$ 35,091 bilhões, um avanço de 15,2% sobre os US$ 30,45 bilhões registrados um ano antes. Esses números consolidam a posição do Brasil como principal fornecedor global do grão, com desempenho robusto tanto em quantidade quanto em valor.
Impacto no mercado e na balança comercial
O desempenho das exportações de soja tem impacto direto na balança comercial brasileira e na renda do setor agropecuário. O aumento de 17,4% na receita em julho, impulsionado pela alta de 7,4% no preço médio, evidencia a capacidade do agronegócio de gerar divisas mesmo em um cenário de custos logísticos elevados e flutuações cambiais. A combinação de volume recorde e preços mais firmes contribui para a entrada de dólares no país, o que pode influenciar a cotação da moeda americana e as políticas de juros do Banco Central.
Para os produtores, o cenário é de relativo otimismo, mas com atenção às margens. A alta de 9,3% no volume embarcado em julho, comparada ao mesmo mês do ano passado, sugere que a safra 2025/2026 está sendo escoada de forma eficiente, apesar dos gargalos logísticos em alguns portos. A valorização do preço médio, por sua vez, ajuda a compensar os aumentos nos custos de insumos e frete, garantindo uma rentabilidade mais confortável para quem conseguiu fixar preços em momentos favoráveis. Você pode acompanhar os indicadores e o mercado de commodities em tempo real aqui na SpaceMoney.
Perspectivas para o segundo semestre
Com o acumulado do ano já superando 82 milhões de toneladas, as projeções para o fechamento de 2026 indicam que o Brasil pode repetir ou até superar o recorde de embarques do ano passado, quando exportou cerca de 100 milhões de toneladas. A demanda chinesa, principal compradora da soja brasileira, segue aquecida, e a expectativa é de que o ritmo de compras continue forte no segundo semestre, especialmente com a aproximação da safra norte-americana e a possibilidade de oscilações nos preços internacionais.
No entanto, fatores como o clima no Centro-Oeste, a logística de escoamento e as políticas comerciais dos principais importadores podem influenciar o desempenho dos próximos meses. A Secex continuará monitorando os embarques diários, e os dados de agosto serão cruciais para confirmar a tendência de crescimento. O mercado permanece atento às cotações do grão em Chicago, que refletem as condições de oferta e demanda globais, e aos prêmios portuários, que indicam a competitividade da soja brasileira frente à concorrência.





