A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou nesta sexta-feira, 17 de julho, a reserva de R$ 130 milhões para um plano de diversificação de mercados voltado a produtos brasileiros impactados pela tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos na última quarta-feira, 15. O presidente da instituição, Laudemir Müller, detalhou que a iniciativa será lançada nos primeiros dias de agosto e contará com a parceria de 57 entidades do setor privado. A medida busca mitigar os efeitos da sobretaxa sobre o fluxo comercial bilateral e sobre os preços no mercado americano, conforme avaliação do executivo.

Müller destacou que, apesar do impacto, alguns segmentos apresentam baixa elasticidade de substituição imediata por outros fornecedores. O Brasil responde por 85% do mel orgânico importado pelos EUA, o que garantiu isenção para o produto. No caso do granito, a participação brasileira é de 36%, e na madeira, de 30% — esta última com uso intensivo na construção civil americana, dificultando a troca de origem no curto prazo. O presidente da ApexBrasil também informou que o valor das exportações brasileiras inicialmente isentas era de US$ 20 bilhões, posteriormente ampliado para US$ 23 bilhões.

Estratégia de diversificação e articulação setorial

O plano de diversificação será construído em conjunto com as 57 entidades privadas parceiras, com foco na ampliação de destinos para os produtos afetados pela tarifa. A ApexBrasil também manterá articulação com empresas e entidades americanas para expandir a lista de isenções nos Estados Unidos. Müller enfatizou que a substituição de suprimentos brasileiros por concorrentes não ocorre de forma imediata, especialmente em setores como o de madeira para construção, onde o Brasil detém posição relevante.

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Impactos setoriais e perspectivas

Entre os setores mais expostos, o mel orgânico, o granito e a madeira foram citados como exemplos de produtos com alta participação brasileira no mercado americano. A isenção do mel, que representa 85% das importações dos EUA, demonstra a relevância estratégica do Brasil como fornecedor. No entanto, para os demais itens, a tarifa de 25% pode pressionar margens e volumes exportados, exigindo uma resposta coordenada entre governo e iniciativa privada.

Müller ressaltou que o trabalho de diversificação será contínuo e envolverá tanto a prospecção de novos mercados quanto o fortalecimento de parcerias existentes. A ApexBrasil já atua em mais de 50 países, e a nova verba de R$ 130 milhões permitirá intensificar ações de promoção comercial, missões empresariais e rodadas de negócios. O objetivo é garantir que os produtos brasileiros mantenham competitividade global, mesmo diante de barreiras tarifárias impostas por parceiros tradicionais.